A sinalização, segundo parlamentares do Centrão ouvidos pelo Correio, ajudou a reduzir a temperatura no Senado nos últimos dias

Cabe ao presidente da Casa decidir sobre o andamento de pedidos de impeachment apresentados contra integrantes do STF (Marcos Oliveira/Agência Senado)
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou a parlamentares que uma eventual abertura de processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia ser acompanhada de uma ofensiva semelhante contra André Mendonça. O movimento funcionaria como uma espécie de “impeachment cruzado” entre os dois ministros da Corte.
O Correio ouviu de parlamentares do Centrão que Alcolumbre fez circular entre colegas a mensagem de que, caso a pressão pela abertura de um processo contra Moraes se torne insustentável, também poderia autorizar o andamento de um pedido contra Mendonça. A sinalização, segundo esses congressistas, ajudou a reduzir a temperatura no Senado nos últimos dias.
A avaliação entre integrantes do bloco é de que a possibilidade de colocar os dois ministros sob pressão alterou o cálculo político de setores que vinham cobrando uma reação mais dura do comando do Senado contra Moraes. Cabe ao presidente da Casa decidir sobre o andamento de pedidos de impeachment apresentados contra integrantes do Supremo.
A movimentação ganhou um novo componente após Moraes encaminhar ao presidente do STF, Edson Fachin, elementos relacionados à atuação de Mendonça. No despacho, proferido no âmbito do inquérito das fake news, Moraes apontou indícios que, em sua avaliação, poderiam envolver crime de responsabilidade e defendeu que os fatos fossem submetidos à análise institucional.
Para parlamentares ouvidos pela reportagem, o episódio ampliou o espaço político para que Alcolumbre sustente a tese de tratamento equivalente aos ministros caso o Senado seja pressionado a avançar sobre Moraes. Nos bastidores, a leitura é de que o recado funciona, sobretudo, como instrumento de contenção: abrir uma frente contra um integrante do Supremo poderia desencadear outra, com consequências imprevisíveis para a relação entre o Senado e a Corte.
A estratégia também reforça a resistência de Alcolumbre em transformar pedidos de impeachment de ministros do STF em instrumento recorrente de disputa política. Até o momento, porém, a sinalização relatada pelos parlamentares não significa que o presidente do Senado tenha decidido abrir qualquer dos processos. O movimento é tratado como uma resposta à hipótese de a pressão política contra Moraes alcançar um patamar que torne difícil manter os pedidos parados.
Confira matéria no Correio Braziliense.
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