quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O Dom no coração do Galo

Dom Hélder Câmara (Carlos Teixeira/Arquivo DP)

Ao ver o Galo majestoso cumprindo seu destino e, mais uma vez, acolhendo o Carnaval do Recife, não pude deixar de pensar em como o homenageado pelo maior bloco de rua do mundo se sentiria vendo aquele coração gigante, como o dele, abençoar as ruas tomadas pela maior festa popular de Pernambuco. Desde os tempos em que era padre, ainda no Rio de Janeiro, Helder Camara já participava das festas de Carnaval. Ali estava, mais uma vez, no meio do povo, junto dos seus, no que ele chamava de alegria popular.

Em texto publicado no site do Instituto Dom Helder Camara, o padre e teólogo Ivanir Antonio Rampon destaca que, “nas prévias carnavalescas, os blocos iam pedir bênçãos ao Dom, às portas da Igreja das Fronteiras, local onde ele morou até seu falecimento, em 1999. Os blocos também iam cantar marchinhas e outras músicas de Carnaval para o seu amado pastor que cantava junto e agradecia por tanto amor e carinho”.

Pastor que faria questão de abraçar Leopoldo Nóbrega, artista plástico responsável pela escultura do Galo da Madrugada e dar aquele sorriso largo para Júlio Gonçalves, que confeccionou o coração usando fragmentos de papel que sobram da produção gráfica da Companhia Editora de Pernambuco, onde trabalha há mais de 50 anos. Aos 86 anos, o artista que assinou o coração do galo gigante confessa que viveu uma emoção forte, que nem sabe descrever quando o coração se juntou ao Galo. Só sentir. Disse que jamais vai esquecer quando integrantes de blocos líricos beijaram o coração antes dele ser instalado na ponte Duarte Coelho.

É esse coração que vai abençoar o palco sagrado do Carnaval, as ruas que tanto marcaram a vida de Helder Camara e o povo, razão de sua ação pastoral, de sua luta no altar e no mundo, pela defesa dos direitos humanos, da paz e da justiça social.

Brinque, meu povo querido, já dizia ele. Que a gente honre o legado da paz tanto defendido pelo Dom e que os dias de festa que se aproximam sejam inesquecíveis, como o coração de Helder Camara. Evoé!

Fonte: Diario de Pernambuco (Daniella Brito Alves)

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