
Foto: reprodução internet
O Supremo Tribunal Federal decidiu federalizar a apuração sobre uma possível estrutura clandestina de vigilância política em Pernambuco. O ministro Gilmar Mendes determinou a entrada da Polícia Federal no caso que investiga se a Polícia Civil do estado foi usada para monitorar e perseguir adversários da governadora Raquel Lyra.
A suspeita central é a existência de um núcleo paralelo de inteligência que teria seguido servidores e rastreado veículos ligados à Prefeitura do Recife, comandada por João Campos, sem autorização judicial. As denúncias indicam o possível uso de tecnologias invasivas — como reconhecimento facial e rastreamento veicular — em desacordo com a lei, especialmente sensível em período de disputa política.
Ao justificar a decisão, o ministro apontou indícios considerados graves e destacou a necessidade de investigação independente para esclarecer se houve desvio de finalidade da máquina pública. A missão da PF agora é verificar se a chamada “polícia paralela” existiu, como operava e, sobretudo, quem teria autorizado ações clandestinas.
A reação política foi imediata. João Campos intensificou o discurso público, classificando as práticas como criminosas e defendendo que a atuação federal é essencial para garantir transparência. O prefeito sustenta que servidores e carros oficiais do município teriam sido alvos de espionagem e cobra explicações sobre os interesses por trás do monitoramento.
Do outro lado, Raquel Lyra tenta conter o desgaste. A governadora afirma que a Polícia Civil atua com autonomia institucional e nega qualquer direcionamento político. Em falas recentes, disse apoiar a apuração rigorosa das denúncias, mas procura reduzir o impacto do episódio ao tratá-lo como procedimento investigativo regular, defendendo foco na gestão.
O resultado da investigação federal tende a pesar no cenário político dos próximos meses. Caso se confirmem irregularidades, o governo estadual pode enfrentar um abalo administrativo significativo. Se não houver provas, a ofensiva do prefeito pode ser interpretada como antecipação do confronto eleitoral. Enquanto isso, o embate entre os dois principais líderes do estado ganha contornos judiciais e mantém o clima político em alta.
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